Este blog expõe as idéias do artista Sidiney Breguêdo sobre poesia, literatura, artes plásticas e comportamento humano. Sidiney breguêdo além de artista e poeta é estudante de direito.
domingo, 26 de setembro de 2010
A CORUJA
A CORUJA FOGE DO NINHO,
OS GRILOS COMEÇAM A ESTRALAR
UMA CANTIGA ANTIGA,
CAFONA E REPETIDA.
CANÇÃO DE NINAR.
DE NAMORADOS
QUE NÃO PARAM
DE SE BEIJAR.
DE MADRUGADA,
AINDA NÃO CONSIGO
LARGAR O BAR.
RECORDO MIL HISTÓRIAS
QUE NUNCA VOU PODER CONTAR:
O OLHAR MELANCÓLICO
DE UMA CRIANÇA
QUE NÃO TINHA ONDE MORAR.
O VOO QUEBRADO DE UM AVIÃO
QUE NÃO PODIA POUSAR
OU O CARTEIRO QUE CAMINHA
NA CHUVA
PARA A GENTE SE COMUNICAR.
UM HOMEM PULOU DE UM PRÉDIO,
NADANDO EM PLENO AR.
ENSINANDO-ME UMA DANÇA DIFERENTE,
DE VENTO, GRAVIDADE E UM PESO ELEFANTE.
CAI A NOITE DE MANSINHO,
A CORUJA FOGE DO NINHO
PROCURANDO ME ENCONTRAR.
SEUS OLHOS NEGROS,
OLHOS DE MEDO, QUE NÃO PARAM DE ME OBSERVAR.
UMA TOSSE RENITENTE FAZ O PÁSSARO VOAR,
FUGINDO PARA LONGE.
EU AINDA CONTINUO NO BAR.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
INTERNETIÇÃO

sábado, 18 de setembro de 2010
No orkut tem geeeeeeennnnnnnttttttttteeeeeeeee!!!!!!!!!

Miolo de pães de doce sem coco

sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Tinha um tempo em que eu queria viver somente de desenhos, e hoje acho que isso é perfeitamente possível. A única coisa chata é que não sinto mais aquela vontade infantil. Naquele tempo se o circo passasse, acho que eu iria junto, só para estar no meio dos artistas. Desconhecia completamente a realidade, não sabia mesmo, que quando um homem quer algo, ele luta para conseguir e consegue. A arte sempre esteve comigo, como uma coisa boa ou ruim, mas ela sempre esteve, meu museu está repleto de coisas, acho que muitas obras se perderam, e aos poucos vou me tornando este dinossauro da internet, pelo menos aqui é para sempre, não há quem limpe a pichação feita.

Misturei nos meus trabalhos um misto de romantismo despedaçado e poesia. Sim, claro, porque, na verdade, o que eu sempre fui foi poeta. Nunca consegui viver sem escrever meus poemas. Quando era apenas um garotão minha mãe não tirava muitas fotos, mas minha vida está toda registrada em poesias. Pensava que elas nunca se libertariam dos cadernos de arames, mas elas se libertaram, com a fúria natural da arte. Tomaram o mundo no livro “O jacaré pensador” publicado no final do ano passado.

As derrotas têm que existir, são elas que levantam o homem, mas são as vitórias que trazem a dignidade necessária para continuarmos. Aprendi a levantar sempre dos meus tombos. Mesmo que para cair de novo. Desenhar é uma terapia fabulosa, se alguém precisar fazer terapia, eu recomendo esta. Pegue um papel e um lápis, vai rabiscando sem rumo, não precisa ficar bonito, só basta fazer. Fazer já é uma vitória, pois você pelo menos uma vez terá ido ao fundo de si. Veja estes desenhos acima, todos foram feitos sem cuidado, com esferográfica, estava me lixando para a anatomia ou perfeição. Descobri que o que me encanta é o prazer de vê-las nascer do fundo de mim. Vê-las sujas de tinta ficar para sempre, daqui a duzentos anos vão estar aí. E pensar que saíram daquela esferográfica que tanto tremia em minhas mãos.



